Morte de Bin Laden é momento crítico para o mundo árabe
Nos primeiros dias da primavera árabe, o presidente americano, Barack Obama, frequentemente afirmou a seus assessores que o movimento que tomou conta da região, do Egito ao Iêmen – do lugar onde a Al-Qaeda encontrou suas raízes intelectuais, aquele em que ele se refugiou – criou o que chamou de uma "narrativa alternativa" para uma geração abandonada. Não havia fotos de Osama Bin Laden nos protestos de rua, ele observou. Tampouco houve gritos de "Morte à América". A questão agora é saber se a morte de Bin Laden nas mãos de forças especiais americanas e da agência central de inteligência (CIA) estimula o movimento para promover a democracia na região – uma alternativa muito real – ou alimenta as forças islâmicas que agora tentam preencher o vácuo de poder deixado no novo mundo árabe.
A Casa Branca, não surpreendentemente, defendeu na noite de domingo que a morte de Bin Laden veio justamente no momento crucial, quando o mundo árabe vira as costas à ideologia da Al-Qaeda. "É importante notar que é mais adequado que a morte de Bin Laden chegue em um momento em que há grande movimento em direção à liberdade e à democracia no mundo árabe", afirmou um dos assessores de segurança nacional de Obama após o fim do ataque à fortaleza de Bin Laden. "Ele estava em oposição direta ao que os grandes homens e mulheres de todo o Oriente Médio e Norte da África estão arriscando suas vidas para conseguir: direitos individuais e dignidade humana".
Se a Casa Branca de Obama estiver certa na sua interpretação dos acontecimentos, a morte do líder da Al-Qaeda vai representar muito mais do que simplesmente levar justiça ao mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001. Ela irá ressaltar o argumento de que o caminho adotado pela Al-Qaeda para mudar o Oriente Médio – através da violência – nunca destituiu um único ditador e nunca trouxe uma mudança real. Por esse motivo, o apelo da Al-Qaeda já estava sumindo antes mesmo de Bin Laden ter seu fim.
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