Lancha que teria batido em barco no lago Paranoá é encontrada sem avarias

Dorivan Marinho/AE

A equipe de policiais e bombeiros que atua no Lago Paranoá, em Brasília, encontrou a lancha que, segundo o depoimento de algumas testemunhas, teria se chocado contra o barco Imagination, que naufragou na noite do último domingo (22). Inicialmente, o impacto foi apontado como uma das possíveis causas do naufrágio da embarcação, que transportava mais de 90 pessoas.
Segundo o delegado-chefe da 10ª Delegacia de Polícia, Adval Cardoso, à primeira vista a lancha não apresenta arranhões ou sinais aparentes que indiquem uma colisão. A embarcação teria sido usada no resgate das vítimas, e na parte interna foram encontrados vestígios de sangue e diversos coletes salva-vidas. A lancha foi isolada e deve ser periciada até o fim da semana.

A Marinha e a Polícia Civil do Distrito Federal, que investigam o acidente, evitam adiantar o que poderia ter causado o naufrágio, mas falam na possibilidade de a tragédia ser consequência de uma série de fatores. Responsável pelo inquérito criminal, o delegado Adval Cardoso diz que a rachadura na estrutura de flutuação do barco, identificada ontem pelos bombeiros mergulhadores, pode ser determinante na apuração. 

- Aliada à avaria, a suposta superlotação pode ter colaborado para o naufrágio. 

O delegado se baseia nas declarações de sobreviventes, inclusive do comandante do Imagination, Airton Carvalho da Silva Maciel, 28 anos. Em um dos depoimentos, ele apontou anormalidades no barco. A mais séria é que, de uma hora para outra, a embarcação teria empinado. 

- Ele [Airton] afirma que não houve colisão com lancha nenhuma. 

Já um dos convidados da festa realizada na embarcação, o garçom Dionei Maffini, 30 anos, contou que o motor falhou duas vezes e que também não sentiu qualquer impacto externo.

- Vi dois apagões, ouvi um barulho e depois o barco começou a inclinar. Aí, houve o naufrágio. Ela [a lancha] estava ao lado, era de outras pessoas que queriam entrar na nossa festa, mas o comandante falou que não podia entrar. Não vi nada de colisão.

Mortos
O Corpo de Bombeiros de Brasília já resgatou seis corpos de vítimas do naufrágio. Dois homens foram encontrados na manhã desta terça-feira. Na tarde de segunda-feira (23), duas outras vítimas foram encontradas: Ester Araujo de Oliveira, de dez anos, únicas criança que estava desaparecida, e Vicente Carneiro de Souza Neto, de 36 anos, que estaria na cozinha no momento em que o barco foi a pique. 

Além deles, Flávia Pereira de 22 anos e um bebê de sete meses também morreram. Todos os corpos resgatados foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), onde as famílias farão o reconhecimento oficial das vítimas. 

Acidente 
O acidente ocorreu por volta das 21h do último domingo (22). O barco Imagination foi construído em 1997. Na época foi batizado de Netuno e era usado para auxiliar veleiros que navegavam no Lago Paranoá. Em 1999 ele foi vendido e reformado pelo novo proprietário, deixando de ser uma embarcação de apoio e passando a ser um barco de festa. 

Uma operação com três lanchas, 30 mergulhadores, 56 bombeiros e dois helicópteros fez a busca das vítimas durante toda a madrugada. Pelo menos 11 sobreviventes, dos 94 resgatados, nadaram sozinhos até a margem. Uma base de operações dos bombeiros foi montada no clube da Ascade (Associação dos Servidores da Câmara dos Deputados) para atender as vítimas. Dos resgatados, três foram encaminhados para o hospital, sem ferimentos graves. 

O comandante Rogério Leite disse que um inquérito administrativo foi aberto para investigar o acidente. Prazo é de três meses e, após isso, será encaminhado ao tribunal marítimo. Segundo o comandante, a embarcação - que estava regularizada - adernou pela popa, o que ajudou a afundar mais rápido.