Vulcão chileno continua a obrigar a cancelar voos

A erupção do Puyehue obrigou a retirar cerca de 3500 pessoas para locais mais segurosDezenas de voos nacionais e internacionais foram nesta quinta-feira suspensos na Argentina, Chile e Uruguai devido à nuvem de cinzas libertada pelo vulcão chileno Puyehue, que cobre Buenos Aires.

As autoridades chilenas admitem que a erupção do vulcão Puyehue pode ainda aumentar de intensidade. Hoje acabaram por ser cancelados todos os voos nos dois aeroportos da capital argentina, Buenos Aires (o Ezeiza, para voos internacionais, e o de Jorge Newbery para voos internos e para países vizinhos).

“Foi tudo suspenso, porque a nuvem de cinzas está sobre Buenos Aires”, disse à AFP um porta-voz da Aeropuertos Argentinos 2000, a empresa que gere os aeroportos da Argentina. A nuvem esteve a 9000 metros da altitude, e é formada por partículas podem causar danos nas turbinas dos aviões.

A companhia aérea LAN também comunicou a suspensão dos voos, não só na Argentina, mas também no Chile e no Uruguai. E na região turística de Bariloche, na Patagónia argentina, cerca de uma dezena de aeroportos estiveram encerrados. Bariloche fica já a cerca de 100 quilómetros do vulcão Puyehue e a região foi bastante afectada pela nuvem de cinzas.

Durante a manhã foram cancelados cerca de 50 voos na capital do Uruguai, Montevideo e a responsável pelos serviços meteorológicos nacionais, Laura Vanoli, adiantou que a situação poderá prolongar-se. “

3500 deslocados

O vulcão entrou em erupção no sábado, obrigando à retirada de, pelo menos, 3500 pessoas. Muitas estão a viver em centros de abrigo.

O Serviço de Geologia e Minas chileno (Sernageomin) informou que a actividade sísmica na região “registou uma leve diminuição”, com “cinco eventos por hora”, a profundidades entre os quatro e os seis quilómetros. Além disso, “continua a ser expelido material para a superfície, de forma contínua, desde o início da erupção”.

“Ainda que a actividade sísmica e a altitude da coluna de cinzas registem uma tendência para estabilizar, o processo eruptivo continua e é possível que volte a apresentar um aumento, com episódios semelhantes aos já ocorridos ou mesmo de intensidade superior”, avisa o Sernageomin.

O Ministério da Segurança Pública chileno mantém, por isso, o alerta vermelho em quatro regiões (Futrono, Lago Ranço, Rio Bueno e Puyehue). “As autoridades continuam no terreno, a coordenar a entrega de ajuda e a avaliar as medidas para reduzir ao máximo as consequências desta situação”, diz o ministério, em comunicado.

O vulcão Puyehue, com 2240 metros de altura, situa-se na cordilheira dos Andes. A sua última grande erupção aconteceu em 1960, depois do sismo de Valdivia, de magnitude 9,5 na escala de Richter. Morreram então 5700 pessoas no Chile.